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Quando o herói vira carrasco
Os aposentados e pensionistas do INSS lembram-se, muito bem, de que uma das promessas de campanha feitas com maior ênfase pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a de respeitá-los, garantindo que o valor dos benefícios que recebem guardassem uma proporcionalidade justa com os valores das contribuições que pagaram à Previdência Social durante décadas.

Uma vez empossado na Presidência, o chefe do governo, como se houvesse sido vítima de uma amnésia seletiva, reduziu o amplo compromisso assumido com os trabalhadores ao reajuste das aposentadorias e pensões iguais a um salário mínimo pelo mesmo percentual de correção deste. Com isso, as condições de vida dos aposentados que, quando na atividade profissional, ganhavam mais do que o mínimo além de não melhorarem, sofreram, ao longo dos anos Lula, uma acentuada perda do seu poder de compra. É cada vez maior o número dos que, a cada mês, têm de escolher se usam o dinheiro para comprar alimentos ou remédios indispensáveis à manutenção de sua saúde.

Enojado com a conduta do presidente em relação a pensionistas e aposentados, o Congresso usou o seu poder de intervir na questão. A Câmara dos Deputados, sem se dobrar às pressões do governo, concedeu àqueles milhões de trabalhadores um aumento de 7,72% e a matéria passou ao exame do Senado. Ali, o senador Mário Couto (PSDB/PA) espera que seja votada em plenário na próxima terça-feira (18). Para que o reajuste seja válido, o texto precisa ser aprovado até 1º de junho.

O episódio coloca o presidente Lula, ora em fase de contagem regressiva para deixar a Presidência, diante de uma escolha da qual não tem como fugir. Ele pode honrar a palavra empenhada múltiplas vezes, em suas campanhas e garantir uma imediata melhoria de condições de vida àqueles brasileiros. Também pode vetar o aumento e, sonegando o direito dos aposentados e pensionistas a uma vida digna, borrar a imagem de herói da classe trabalhadora, que tanto se esforçou por construir, com uma mancha impossível de ser removida.

Como não faltam, nessa hora, figuras dispostas a justificar o injustificável, os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT/SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), anteciparam-se na justificação de um veto de Lula à medida provisória aprovada na Câmara, alegando que ela tem um erro de digitação relacionado ao percentual do reajuste. Foram logo desmentidos pela presidência da Câmara, que informou haver corrigido a redação antes do envio da proposta ao Senado.

Desmascarada a sórdida artimanha por ele arquitetada para tirar a brasa do fogo com a mão de parlamentares submissos ao seu comando, o presidente Luiz Inácio da Silva não tem como escapar da decisão que, mais do que qualquer outra, fixará o seu perfil histórico como defensor ou carrasco dos trabalhadores.



Blog do Noblat (www.blogdonoblat.com.br), 16.05.2010

Aposentado Labutando (site), 17.05.2010

Diário de Marília (Marília/SP), 18.05.2010

Região Online (www.itapedigital.com.br), 18.05.2010

Diário de Sorocaba (Sorocaba/SP), 20.05.2010

Diário de Santa Bárbara (Sta. Bárbara/SP), 27.05.2010
Sessão solene para entrega de título de cidadão itatinguense ao deputado Pannunzio.

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