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Fichas sujas banidos
A aprovação unânime obtida pelo projeto da ficha limpa no Senado sinaliza o caráter irreversível da mudança, face à dubiedade ética de alguns políticos, que vai tomando conta do País. No frigir dos ovos, até o senador Romero Jucá (PMDB/RR), que afirmou ser aquela matéria uma prioridade da sociedade, mas não do governo, cuja bancada lidera, acolheu a urgência e votou pela aprovação da nova lei. Agiu com esperteza, pois percebeu que, se mantivesse a postura inicial, corria o risco de ser o único a votar contra.

Por trás da mudança das posições de parlamentares e de suas respectivas bancadas está a percepção, por parte de deputados e senadores, de que a sucessão de episódios escandalosos envolvendo integrantes do Congresso e do Executivo, gerou, mesmo no cidadão comum, pouco afeito ao exame e debate das praxes políticas, náusea e crescente intolerância a condutas desarmônicas com os princípios de honestidade que devem reger a vida pública.

O descompasso entre o discurso moralista e as práticas patrimonialistas, geradoras de favores e privilégios inadmissíveis em benefício de parentes, amigos e apadrinhados dos que exercem o poder, ultrapassou o ponto de saturação.

Enojado com as práticas cada vez mais ostensivas dos maus políticos, os cidadãos deixaram claro, na empolgante mobilização em favor da ficha limpa, que não se contentam com discursos moralistas. Exigem medidas concretas que excluam da vida pública quem não demonstra suficiente dignidade para exercê-la.

Alguém poderá dizer que muitos dos que votaram em favor da lei da ficha limpa continuam a urdir tramóias que impeçam a sua aplicação este ano e, se possível, inclusive nas eleições seguintes. E estarão certos em sua ponderação.

O essencial, neste instante, é que todos os que nos engajamos na luta pelo saneamento da representação política no País não nos deixemos intimidar por interpretações arrevesadas da lei ou por tentativas que tentam evitar sua aplicação imediata a qualquer preço.

Ante as resistências à ficha limpa, que ainda se delineiam, aqui e ali, a opinião pública deve seguir a recomendação traçada pelo almirante Barroso aos seus comandados na Batalha do Riachuelo: “Sustentai o fogo que a vitória é nossa!”

As resistências na Câmara e no Senado, apesar do pessimismo inicial de alguns e das tentativas de outros de enganar o eleitorado, foram vencidas. Mantenhamos a pressão popular firme e inarredável e os obstáculos que ainda restam também serão superados, abrindo caminho para que a honestidade e a retidão se tornem o padrão fundamental de conduta na política brasileira.



Deputado federal, membro da CCJ, vice-líder de bancada.

Blog do Noblat - 24/05/2010

Sessão solene para entrega de título de cidadão itatinguense ao deputado Pannunzio.

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